O Evangelho da Política

Já não basta termos que votar obrigatoriamente, caso contrário perdemos alguns direitos como cidadãos, além de termos que mudar de canal para não assistir à propaganda eleitoral política obrigatória e ver candidatos que estão dando o que falar no exterior, até mesmo no conhecido The New York Times – mas, infelizmente, devido às suas palhaçadas -, ainda temos que passar por um grande teste de paciência.

Nunca vi tanta gente sendo tão enfática em querer mudar as opiniões das pessoas quanto nessas eleições para presidente; e não é ênfase para acreditarem em suas teses, doutrinas e religião, mas vejo uma ênfase tremenda, até ditatorial, sobre as opiniões políticas alheias, opinando em que candidatos devem ser votados, e criticando aqueles que se recusam a votar em tais ou pensam de maneira diferente.

Ninguém mais pode opinar sem sofrer alguma crítica ou até mesmo iniciar uma discussão absurda, às vezes sem fundamento e, para todos os efeitos, egoísta, não apenas nas redes sociais, mas nas escolas, ruas, famílias, sendo esta última a mais afetada; não se sabe moderar o que se fala ou se ouve sem retrucar, como se ficar calado fosse o fim de tudo – sendo que, no fim das contas, ninguém mudou de opinião e apenas foi criado um momento desagradável, testemunhado por outros, crianças inclusive.

Não esqueçam que vivemos em uma democracia, cada pessoa vota em quem quiser – nas urnas, o rico e o pobre têm os mesmos direitos. É irônico ver nessas discussões e brigas, que querem tanto mudar a opinião dos outros, um contraste e enorme falta de respeito em um país que há apenas alguns meses estava “unido” e cantando a música tema da Copa “We Are One” – Nós Somos Um, em tradução livre –  e torcendo freneticamente pelo Brasil.

Quanta falta de consideração e respeito por quem pensa diferente, como se todos fossem experts e doutores na política, mas que, em sua maioria, sequer tem o hábito de ler – e falo de ler livros e até estudar história, porque ler textos de redes sociais ou opiniões digeridas pela internet jamais desafiará sua mente a pensar além do que qualquer um pode pensar e desenvolver a sabedoria necessária para realização de escolhas.

Quer opinar, opine, não imponha. As escolhas são individuais e, para que o país cresça de verdade, é o pensamento de respeito pelo próximo que devemos cultivar. Cada um tem sua opinião, respeite a dos outros, assim como você quer ser respeitado.

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Texto publicado originalmente no blog Vendedores de Ideias em 11 de outubro de 2014 –  e que nunca foi tão verdadeiro quanto em 2018 outra vez.

Categorias:crônicas

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