Mais vale um beijo do que um amor?

Tiago acordou com vontade de se deliciar nos lábios de uma garota que há muito não tivera mais contato, admirar as curvas de outra, sentir a emoção de estar com aquela terceira.

Por um momento pensou se sentir isso era bom, se ter tantas experiências o tornavam realmente um homem ou se elas apenas impediam o seu foco de casar algum dia, porque querendo ou não, perdia um pedaço de si em cada relacionamento não sério que tinha.

Muitos homens, e até mulheres, mentem pra si dizendo que querem curtir todos os prazeres que podem ter ao longo da sua vida juvenil e início da fase adulta, até algo ou alguém dar um jeito neles e os prenderem pro resto de suas vidas em um matrimônio chato e entediante. Acabam se desgastando física e emocionalmente, principalmente neste último ponto. Vivem romances, amores e até o sexo, na vã esperança de estarem apenas “curtindo a vida” e “juntando histórias para contar”.

Para alguns, a experiência realmente os tornam homens e mulheres, deixam de ser meninos e meninas, para outros, isso tudo nada mais é do que um vício e uma fuga do compromisso.

Tiago estava sentindo na pele que a cada garota que beijava ou tinha uma relação mais íntima, sem compromisso algum, o deixavam mais inseguro para ter algo sério. Passava pela sua mente se seria fiel, tinha medo de trair sua namorada ou algum dia desejar outra mulher mesmo tendo sua esposa e filhos.

“Nunca pensamos nisso quando beijamos alguém”, dizia sua mãe. “Beijo é algo sério, filho”.

Por um momento, entristeceu-se, porque lembrou de quando queria apenas uma namorada, viver a vida ao lado dela, casar com ela, ter filhos e morrer ao lado dela. Mas já havia perdido as esperanças em amar alguém após o término de mais um relacionamento sério.

Tiago tentava olhar o lado bom de tudo isso, e conseguia ver, mas alguém como ele, uma raridade de garoto-homem na vida, queria apenas entregar seu coração para uma única garota e amá-la pelo resto de sua vida, não em um casamento entediante e chato, mas num relacionamento que se renovasse a cada dia.

Não queria uma relação “vamos ver se dá certo”, ele queria uma relação “vamos fazer dar certo e nos esforçar por isso”.

Ele queria não alguém para preencher seus vazios, ou fazer suas vontades, tão somente queria alguém para amar e que o amasse de volta na mesma medida.

As histórias que ele queria contar aos filhos não eram de estranhas que ele beijou numa festa de faculdade, ou da garota com quem ficou quando estava  bêbado ou carente. Ele queria contar a história de como conheceu a mãe deles e de todas as aventuras que viveu ao lado dela, de quantos sonhos compartilharam juntos e das viagens que fizeram, das alegrias que deram um ao outro e das lágrimas que secaram, dos momentos de saúde e doença.

Num mundo onde o amor é descartável, ele queria ser a diferença e o exemplo, mas estava fracassando.

“O que estava errado”? Ele se perguntava.

Num mundo em que o sentimento de amar ou se apaixonar apesar das dificuldades já quase não existe, onde não se arrisca mais por amor e se prefere ter ficantes do fim de semana a um caso sério, Tiago sofria cada vez mais por estar desacreditando na sua própria capacidade de amar.

Lembrava das conversas com o pai, em que alertava para ele que ele jamais acharia numa pessoa tudo o que gostaria, e que isso era pior ainda quando se envolvia com cada mulher e se deixava dar uma parte de si para cada uma delas – justamente o que estava sentindo ao acabar de acordar.

As pessoas têm razão quando se diz que é melhor não casar do que viver uma vida de adultério ou de sofrimento. Mas as pessoas se enganam quando acham que isso vai acontecer com todo mundo que se casar, que todo casamento vai se desfazer e que ninguém mais pode lutar para amar.

Tiago e Alexa estavam vivendo esse momento em comum da vida, um em que esses dois amigos não acreditavam mais que poderiam ser felizes com alguém ou que o amor não existia. Porém mal sabiam que eles estavam errados. O tempo logo traria uma surpresa aos dois, bastava a paciência e um pouco mais de maturidade para entender o que era o amor que eles realmente precisavam.

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Texto publicado sob o pseudônimo de Ricardo Neruda em 18 de setembro de 2016 – da série de textos Fatos de Alexa e Tiago. Revisado para esta postagem.

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