E quando não é aquele amor?

Alexa havia aprendido a ter um pouco de liberdade, estava praticamente formada afinal, demorara tanto tempo que estava ganhando experiência com um tipo de liberdade e responsabilidade novas.

Decidiu pegar um pedaço de bolo de chocolate e ir dividir com seu amigo Túlio na casa dele. Como os pais dele não estavam em casa, ele sugeriu que ambos ficassem do lado de fora da casa para ficarem na escada olhando as estrelas e contando histórias e conversas um do outro.

Passou horas e horas na escada conversando com seu amigo. Tinha um sentimento especial por ele, queria entender o que seria esse sentimento, e tinha medo de confundi-lo com amor, porque já estava com medo de decepcionar as pessoas que amava e aquelas que considerava apenas com amizade também, além disso já não queria se decepcionar mais, queria ter certeza do que fazer para dar seu próximo passo – se é que o daria.

Outro motivo que ela aos poucos estava começando a ignorar, era que suas exigências não tornavam seu amigo próprio aos seus gostos e se perguntava se era um erro absurdo dar valor à atração aquela altura do campeonato – e isso porque ela o considerava bonito, só não à sua maneira, faltava atração, e mais tarde ela redescobriria que não é questão de beleza, mas sim de se sentir passionalmente atraída, uma questão de química talvez. Ela se sentia profundamente envergonhada por esse ser um motivo a mais para evitar se envolver, era o menor dos motivos, mas só o fato de ele existir era algo que ela tinha certeza que não podia enganar em seu coração, muito menos no do seu amigo.

Ah, Alexa, como estava seu coração nesse momento de sua vida. O mais impressionante disso tudo era que seu amigo a entendia perfeitamente – e esse entendimento era um motivo ainda maior para ela sentir algo por ele, algo que não conseguia compreender, algo que num momento não muito distante à frente, ela perceberia que era uma amizade genuína, especial, das quais quase não existe no mundo.

Alexa de 23 anos queria resolver seu coração, queria entender o que sentia, porque sabia que a cada dia que passava sem descobrir uma resposta e o que ela queria, era um dia possivelmente perdido, mas estritamente necessário para se achar. Calma, Alexa, logo você vai redescobrir um amor de “Janeiro a Janeiro”.

Jamais esqueça que achar suas razões de vida e descobrir-se são muito mais importantes que achar um amor. Obviamente existem exceções, às vezes você só se encontra quando acha um amor, em outras, essa falta de conhecimento próprio apenas traz ruína, isso não é uma regra, depende de você também.

Em alguns momentos, nossos amigos, cheios de conselhos e loucuras, são as pessoas que mais nos apoiam e mais nos ajudam a refletir. Por vezes dispostos a nos dar uma bronca, preocupam-se conosco e nos ajudam tão somente a evitar o pior em nossas vidas. São como irmãos que escolhemos, algumas vezes como anjos em nossas vidas.

Amizade e amor, duas existências separadas por uma linha tênue, seja lá como for o amor, afinal ele tem várias formas, cada qual a seu modo, seja lá como for a amizade, devemos valorizá-los em nossa vida. E quando não é aquele amor? Pergunte-se amanhã, viva a amizade e o amor, você vai descobrir no momento certo.

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Texto publicado sob o pseudônimo de Ricardo Neruda em 15 de novembro de 2016 – da série de textos Fatos de Alexa e Tiago. Revisado para esta postagem.

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