As Desventuras de Minha Memória

Odeio quando a minha memória me engana.

Às vezes me pergunto quão confiáveis podem ser nossas certezas sobre uma lembrança?

“Mas eu juro que deixei as chaves aqui”, mas ele nem pegou as chaves. “Eu tinha certeza de que li sobre isso em algum lugar”, foi apenas um comercial de televisão que ela viu. “Sério, eu te falei que ia fazer isso”, mas estava tão empolgado que não falou.

Jurava que tinha dito a uma amiga sobre o fato de Arthur Conan Doyle ser médico e por isso o personagem Watson de Sherlock Holmes provavelmente também ser. Estava tão certo disso até que um dia ela comentou que Arthur era médico e eu quis logo tomar os créditos pela informação, sendo rebatido pelo fato de que outra pessoa tinha dito a ela.

Pra quem eu disse isso então? Talvez para um amigo que estava lendo sobre Sherlock Holmes, ou será que era sobre Poirot? Acabou que eu não tinha razão, e fiquei parecendo um idiota por querer parecer o certo. E mais um engano da memória. Ou será que ela que se enganou?

Eu juro que era assim, ou será que não?

Li que isso tudo acontece por conta de um mecanismo cerebral, do qual nem ousarei dissertar pois com certeza minha memória já manipulou alguma informação do conteúdo. Talvez eu nem tenha lido e esteja confundindo com outra informação.

Por essas e outras, invejo quem decora com detalhes ou lembra de tudo direitinho, apesar de que me parece óbvio que uma memória dinâmica e em constante trabalho consegue improvisar mais em determinadas situações do que uma pessoa que só copia e cola.

Apesar de tudo, temos o alívio de que isso não acontece sempre. A verdade é que na dúvida é melhor não fazer afirmações incertas baseadas na nossa memória já que ela eventualmente nos trai, às vezes ela é como um jornal sensacionalista que faz de tudo para dar destaque a uma informação muita das vezes inútil. Melhor sempre procurar a fonte do conhecimento e da informação antes de tirar da própria cartola algo que nossa memória maculou.

Eu tenho a leve impressão de que estava prestes a ler um capítulo de Sherlock quando comecei a escrever isso, ou será que ia assistir a algo? Bem, só demorou alguns dias pra lembrar do que realmente aconteceu com minha amiga, e ainda assim permaneço na dúvida. Ainda bem que não bebo, já me bastam as desventuras de minha memória.

 

camera photography vintage travel

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Publicado originalmente no blog Vendedores de Ideias em 29 de Novembro de 2016

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