O canalha que traía a namorada

– Relutei em vir falar isso com você, mas eu preciso urgentemente pedir a opinião de uma amiga!

Aline mal havia começado a falar quando Alexa percebeu que havia algo errado, uma espécie de preocupação e necessidade de desabafar que vinha de sua amiga.

Para evitar comparações, marcações desnecessárias em posts de redes sociais e até mesmo identificações pessoais, vamos chamar os personagens a seguir de Canalha e Idiota – perdoem se estou sendo insensível com as palavras e termos para os personagens, mas logo vocês vão entender.

– O Canalha foi pra mais uma festa pra ficar com algumas garotas, amiga! – Contava Aline revoltadíssima.

– Como assim, amiga!? Mas que filho da mãe! – Na verdade Alexa soltou um palavrão aqui. – Mas ele ainda não namora com a Idiota? Ela é tão bonita e legal.

– Sim, e o pior não foi isso, foi que uma amiga minha me mandou uma mensagem contando tudo o que tinha rolado naquela noite depois da festa e que achava ele o máximo e já queria ele de novo, quando ela me mandou a foto dele eu fiquei sem acreditar! Que canalha!

– Não conta isso pro nosso amigo cafajeste, é capaz de ele ir atrás da ex do Canalha e dar em cima dela. – Falou Alexa rindo e se referindo a um amigo, conhecido como Ricardo.

– Ex? Eles já voltaram, amiga!

– Como assim!? Mas que burrice da Idiota! – retrucou Alexa.

– Sim, ela acha que ela vai parar com isso, mas duvido que ele tenha apagado os contatinhos e nudes das outras.

– Depois de eu ter achado ele na internet dando em cima de mim sem saber quem eu era nada mais me surpreende…

– Pelo menos esse gatão não é gay, né amiga? – soltou Aline dando risada.

O comentário irritou Alexa.

– Antes fosse gay, solteiro ou não, mas um cara fiel ao invés de um canalha desses!

Aline ficou desconcertada.

– Calma, não foi o que quis dizer…

Alexa respirou fundo, tinha raiva disso, mas morria de pena da garota que acreditava que devia alguma coisa pro cara que traía ela constantemente – sim, constantemente, não foi uma só vez que aprontou então que ele se arrependeu ou um único momento impulsionado pelo ímpeto (o que não justificaria ainda assim) –, que dormia e beijava outras enquanto ela cultivava amor por ele.

Alexa sabia que faltava coragem para aquela menina em seguir em frente e arriscar achar quem a merecesse de verdade, mas Idiota estava cega demais para perceber isso, o medo de ficar sozinha e de se explicar para a família e amigos do porquê terminar eram maiores do que o amor próprio e a atitude de saber se valorizar e perceber que Canalha nenhum merece a satisfação de um beijo apaixonado de alguém que ele trai toda vez que uma garota olha para ele.

Alexa não sabia qual era essa sensação, mas ela já havia experimentado uma espécie de traição diferente, aquela em que dizem que te amam, que você é único, que não sai dos pensamentos desse alguém mas que no outro dia já estão postando fotos nas redes sociais declarando grandes amores da boca pra fora por um ser qualquer – que apenas tenha dado chocolate, flores ou sexo sem saber o que é amor. E isso doía, doía de um jeito que a Alexa de 25 anos já não se envolvia com mais ninguém facilmente, uma pessoa tão nova, mas que já estava desiludida de se apaixonar.
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bench nature love people

Texto publicado sob o pseudônimo de Ricardo Neruda em 25 de junho de  2017 – da série de textos Fatos de Alexa e Tiago. Revisado para esta postagem.

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